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Lúdico

 

Inspirado nas obras do pintor russo Wassily Kandinsky, LÚDICO, criação de Miriam Druwe e Cristtiane Paoli Quito, propõe de forma colorida e poética um passeio pelo universo de criação de uma obra de arte, onde as cores e as formas se agitam em busca de um lugar para habitarem.

Pintor reconhecido pelas cores e formas de suas obras, Kandinsky teve contato muito cedo com a música, aos oito anos. Essa pequena incursão nas aulas de piano e violino deu noções fundamentais de harmonia e evolução, que depois seriam utilizadas. Sua primeira grande obra teórica sobre pintura, “Do espiritual na arte”, publicado em 1912, o pintor desenvolvia uma investigação filosófica sobre as cores e as formas: elas possuíam valores psicológicos e morais próprias que assim como a música, eram capazes de fazer “vibrar a alma”. Anos mais tarde, em 1926, o artista russo lança “Ponto e linha sobre plano”, em que elabora uma teoria semelhante à utilizada pelos músicos para compor. Era uma resposta a necessidade interior do artista em detrimento da forma: em suas obras, umas das preocupações era a busca de um equilíbrio instável entre elementos opostos.

Como base para todo desenvolvimento e criação do espetáculo, Druwe pesquisou

A partir desses elementos, Miriam Druwe, que há tempos nutria uma paixão pela obra de Kandinsky, percebeu todo o universo de possibilidades que se apresentava a sua porta: a pesquisa de corpo e movimento dentro do lúdico. Ouvindo o desejo interior de sua alma artista, juntou sua paixão pelo pintor russo, cercou-se de profissionais premiados e competentes das artes e percebeu que pela primeira vez em sua carreira falaria às crianças. Assim surgiu Lúdico, um espetáculo que narra a transformação de uma tela branca em quadro, enquanto personagens inusitados invadem o palco em busca de seu lugar. A reta, a curva e o ponto são personagens que têm características e personalidades próprias: a reta sabe muito bem o que quer, tem destino certo, mandona e decidida; a curva, é uma reta distraída, é sinuosa, assanhada, é elástica, pode ceder e evitar, porque é capaz de desviar; o ponto é o início de tudo! E por ser o princípio, a tela branca foge dele, porque se acha linda assim, vazia.... e tenta convencer a todos que sendo o mais simples dos elementos, é cheia de graça e também expectativa... . O círculo preto tem um mundo só dele, não liga pra nada, é sisudo e diz, va-ga-ro-sa-men-te: “Aqui estou”. O círculo vermelho, por sua vez, é trovoada e relâmpago, apaixonado, irradia em vermelho para além de qualquer obstáculo. Diante de todas essas histórias que se desenrolam, o criador/pintor acaba por ser envolvido por esses elementos e engolido por sua obra.


FICHA TÉCNICA


Direção Geral: Miriam Druwe

Concepção e Direção: Miriam Druwe e Cristiane Paoli Quito

Coreografia: Miriam Druwe

Intérpretes: Alessandra Fioravantti, Adriana Guidotte, Bruna Petito, Elizandro Carneiro, Orlando Dantas, Felipe Sacon e Miriam Druwe

Trilha Sonora: Fábio Cardia

Figurino e Cenário: Marco Lima

Desenho de Luz: Marisa Bentivegna

Operação de Luz: Marcel Gilber

Produção: Tono Guimarães – Plataforma Movente e Clayton Santos Guimarães

Faixa etária: livre

Duração: 60 min