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Por ti, Portinari

 

Voltar a casa, voltar à essência

O Tempo é um menino, um poeta das cores.

Matisse, o pintor, disse uma vez: “o verdadeiro gênio consiste ao retornar à infância”. Não poderia ser diferente. É na infância que falamos a língua da imaginação; é nela que conversamos livremente com o Tempo sobre as coisas da vida; é ali que pintamos os mundos que habitaremos com todos que vieram e virão depois de nós. A infância é a chave do infinito.

Estar diante de Cândido Portinari é viver esse caminho de “voltar a casa”, de voltar à essência das coisas. Ele foi sempre um poeta dos homens: pintava uma vida de contrastes em que a profusão exuberante da nossa terra – fauna, flora, cultura – era também o lugar da pobreza, da dor e da dificuldade. Não havia como deixar qualquer lado de fora dessa equação: eram suas cores profundas que marcavam essa vida de guerra e paz de todos os dias. Olhava para os homens que partiam como retirantes e via como os filhos do seu tempo estavam sofrendo. Ele pintava para mostrar ao tempo seu abandono. Ele queria entender como é capaz de se viver nesse mundo e encontrava força nas lembranças de sua infância no interior de São Paulo, na cidade de Brodowsky.

Portinari passava o dia a olhar o homem e o tempo. Por mais espantado que estivesse, não desviava o olhar. Era sua responsabilidade trazer essas imagens para o mundo, tornar visível aquela tal mão invisível daquele tempo. Não havia espaço para o medo, não havia espaço para o cansaço. Um dia, porém, o pintor olhou para o homem e, sem se dar conta, viu através dele. Tornar-se pai e tornar-se avô havia lhe dado um poder especial: o poder de voltar a falar a língua da infância, a língua da imaginação.

A partir daí, Portinari viu emergir um território que, mesmo presente, nunca se mostrou tão abertamente a seus olhos: o mundo das brincadeiras, das danças e do circo; o mundo onde os camponeses riam ao final do dia por uma troca de olhares; o mundo dos namorados; o mundo das crianças que amavam a vida sem esperar nada em troca: enfim Portinari encontrou o menino Tempo, o primeiro poeta das cores e voltou com ele nos braços vendo a vida por outros olhos.

“Por ti, Portinari”, o novo espetáculo de dança da Cia Druw, é uma declaração de amor a obra de Portinari e a sua forma de ver o mundo. Será uma viagem pelas suas obras como reconhecimento de seu caminho em busca de sua essência, partindo da grande obra “Guerra e Paz” para traçar um caminho afetivo sobre esse retorno a nossa infância, que passará por obras como “Os retirantes” e “Os espantalhos” até chegar a seus “Meninos no Balanço”, “Meninos Soltando Pipas” e “Palhacinhos na Gangorra”.

FICHA TÉCNICA

Concepção, Criação e Regência: Miriam Druwe

Pesquisa coreográfica: Cia Druw

Assistente de coreografia: Alessandra Fioravanti

Intérpretes-criadores: Alessandra Fioravanti, Camila Bosso, Diego Mejía, Letícia Rossi/Miriam Druwe, Orlando Dantas, Ricardo Januário, Thiago Amaral.

Ator convidado: Thiago Amaral

Consultoria: Cristiane Paoli Quito

Dramaturgia: Thiago Amaral, com textos de Cândido Portinari, João Cândido Portinari e Fernando Brant.

Referências dramatúrgicas: Tono Guimarães

Cenografia e Figurino: Fábio Namatame

Assistente de Figurinos: Juliano Lopes

Audiovisual: Estúdio Preto e Branco - Marlise Kieling

Desenho de Luz: Marisa Bentivegna

Trilha sonora: Ed Côrtes

Coordenação de Projeto Educativo: Marcela Benvegnu

Projeto gráfico: Kléber Góes

Apoio/Participação especial: João Cândido Portinari

Assessoria de imprensa: Flávia Fontes

Direção de Produção: Tono Guimarães – Plataforma Movente